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Entrevista com o gênio da escrita – James McSill

 

Por: Josi Gomes Barros

Foto: acervo pessoal

Todo aquele que tem a oportunidade de conhecer James, seja por meio de seus livros, palestras, consultoria literária etc, ver sua vida mudar pelo avesso. Ele consegue numa maestria encantadora nos despertar para um mundo de magia, conhecimento e superação.

Comigo não foi diferente, conheci James num desses Write in que ele costuma realizar mundo afora. Confesso que saí um pouco zonza de lá.

Trinta dias depois agendei uma sessão de voz, com o pessoal do Studio. Coincidiu com a véspera de Natal, de 2014, logo pensei, “calendário estranho o dele”, mas eu toparia aquela conversa até no dia 31 à 0:00h.  Minutos antes entrei em pânico, não havia ninguém em casa além de mim e minha filha de três anos, ansiosa para abrir os presentes da noite de Natal. Finalmente consegui deixá-la quietinha até que eu pudesse ter aquela conversa. E lá estava ele, parecia que estávamos tomando cerveja no bar da esquina, ou vinho, se o dia estivesse muito frio… em fim, o fato é que sete meses depois vi minha vida virar de cabeça para baixo.

Eu não queria nem dormir para ter que colocar em prática tudo aquilo que ele me orientava e que o projeto exigia. Foram 12 livros em menos de 12 meses. Não me dando por satisfeita, 3 meses depois escrevi outro, e claro, sobre a sua orientação. Achei pouco e abri uma Editora, a Editora CAB. Acham que parou por aí? Não, a minha sócia Neide Gomes, também embarcou nesta viagem, aí já viu. Nos tornamos duas lunáticas pelo o universo literário. Agora, de verdade, porque nossos livros estão nas mãos de centenas  de leitores do Brasil. Ufa!

Ninguém consegue ir tão longe sem um “Mentor”, e nós estamos muito felizes por que além de termos a assessoria do maior consultor literário do mundo ganhamos um amigo.

James nos concedeu uma entrevista, e  mais uma vez ele nos inspira com suas histórias e seu jeito de ver o mundo. Convido à todos a conhecer um pouquinho mais desse nosso  Gênio da escrita.

Ed. CAB| Quem é James McSill?  Compartilhe conosco um pouco de sua trajetória.

JMcS |  Quando falamos em trajetória, normalmente pensamos em um currículo diversificado, ou uma jornada de um extremo a outro. No meu caso, a minha trajetória – um tanto aborrecida, talvez – foi uma sequência de eventos que me levou até ao lugar em que hoje me encontro.

Diz a lenda familiar que, quando eu tinha quatro anos, eu criei, e contei, uma história aos meus pais, na qual dizia que eu havia, durante a madrugada e sozinho, saído de casa, atravessado a rua e entrado em uma festa de adultos que acontecia cerca de uma quadra da minha casa. Tudo isto seria ignorado como imaginação infantil, se eu não tivesse descrito os convidados e o que lá se passava com uma riqueza de detalhes que deixou os meus pais intrigados. “Pagaram o mico” de irem até ao local para investigar, os organizadores da festa também ficaram intrigados, pois muito do descrito fazia sentido. Teria eu fugido de casa, ido à festa e entrado sem ninguém perceber?

Claro que não me lembro do incidente, após muito investigarem, porém, a minha “participação” na festa nunca foi confirmada. Não fui, mas a minha vívida imaginação já lá estava, se não na festa, como parte integrante de quem eu sou. Em miúdos, transformei a minha habilidade natural – ou desvio mental – em criar histórias, que podem chamar de “mentir” em um modo de vida, uma profissão que me trouxe daquela primeira lenda a meu respeito à realidade da minha carreira atual: com nove anos escrevi uma peça de teatro, da tenra adolescência até terminar a faculdade escrevi duas ou mais dezenas de peças, contos, roteiro para TV e por aí vai. Alguns desses trabalhos ganharam os palcos, contos ganharam um prêmio ou outro e, durante três anos, os meus roteiros abrilhantaram, acho, programas de TV para crianças. Logo depois, entrei na área acadêmica, aprendi a ensinar e, por fim, mesclei as duas coisas, abrindo o meu estúdio que, desde então, não para de trabalhar. Isto deu-me um propósito, uma missão, que levo aonde posso. Não sendo raro o ano em que, de voo em voo, dou dez ou doze vezes a volta ao mundo. Mas, sempre mantive e mantenho comigo o mantra de que a “vida é hoje”. Então, considero um imenso privilégio, por exemplo, poder sentar com editores, autores conhecidos e aspirantes, trabalhar a história de empresas e empresários, entrar num estúdio de TV, cinema ou encontra-me nos bastidores de grandes produções teatrais, contando como bons amigos, muitas pessoas que, para o mundo, são celebridades, para mim, sobretudo, parte uma grande família. Reconheço, com muita humildade e admiração, o fantástico talento alheio, o que me leva a, quando trabalho com essas pessoas, manter uma visão de respeito, carinho e estímulo. Na minha visão de mundo, acredito numa humanidade livre, que usa a arte para expressar, ver a si mesma dos mais variados ponto de vista e ser mais feliz. Para auxiliar autores, atores, roteiristas, diretores, palestrantes e empresas a chegarem mais perto dessa meta, é que acordo pela manhã já entusiasmado com o trajeto que seguirei nas próximas horas. A minha trajetória tem sido dentro desta bolha de carinho que me envolve, creio que enquanto essa bolha permanecer firme, permanecerei avançando. O meu combustível é o calor humano, o amor de quem me ama.

Ed. CAB| Qual a importância do storytelling no mundo de hoje?

JMcS | Storytelling, ou a nossa capacidade de comunicar por meio de histórias, esteve conosco deste tempo imemoriais, possivelmente é uma coisa atávica na nossa espécie. Portanto, a importância foi a mesma desde sempre. Hoje, contudo, temos mais meios pelos quais levar aos outros as nossas histórias, de ajudá-los pensar e repensar aspectos da vida. Cada vez mais, por exemplo, adquirimos histórias que nos encantam em vez de simplesmente produtos ou serviços. Houve época em que um sapato era um sapato, hoje é muito mais um objeto que vai deixar os nossos pés mais “sexy” e, nos sapatos, projetamos uma história futura de mais sucesso e de conquistas. Já no campo do entretenimento, nunca produzimos tanto. A cada dia, apesar dos percalços, a humanidade tem mais tempo livre e uma fome imensa por histórias com as quais se divirtam nas horas vagas e ter sobre o que fazer nas horas de trabalho. Quem já não discutiu com um amigo um personagem ou o enredo de uma novela? A mensagem de um filme ou livro?

A importância ou visibilidade do que convencionamos chamar de Storytelling, infelizmente, cria alguns problemas. Chateia-me o nível absurdo de “charlatanismo”, se assim pode-se dizer. É muito fácil falar sobre, por exemplo, estrutura de história – Jornada do Herói etc – como é fácil falar em neurocirurgia; basta ir ao Google, pegar as informações, ter lábia e ir adiante. A desgraça está na aplicação desta informação adquira! Grande parte dos ditos profissionais com que me deparo, se lhes é dado um «bisturi» não seriam capazes de cortar uma cebola, quanto mais tratar, por intermédio de uma cirurgia bem feita, um aneurisma cerebral. Storytelling, como mencionei, “reside” conosco desde os primórdios da humanidade. Nada ou pouco tem a ver com o recolher cenas de filmes de Hollywood e mostrar como se fossem aplicáveis ao que quer que seja. Storytelling é um assunto sério, pode genuinamente mudar vidas e trajetórias de empresas se propriamente empregado. Enfim, histórias definem rumos, criam, mudam ou reforçam valores, levam a coletividade a empreender, a agir para conseguir vender uma ideia, um produto, um serviço, um livro, uma série de TV, um novela, uma peça… Em suma, o acúmulo de histórias numa determinada cultura nos dá um propósito, mostra-nos quem somos, qual a nossa jornada, qual a finalidade desta jornada, onde queremos, ou devemos chegar para atingir uma meta individual ou coletiva. O storytelling, a manipulação positiva ou negativa desses princípios dramáticos subjacentes às histórias, neste caso, torna-se um instrumento, talvez ‘o’ instrumento de que dispomos na atualidade para gerir, comunicar, informar, instruir, motivar, liderar a nós mesmos e aos outros. Isto é sério. Isto é importantíssimo!

Ed. CAB| Qual foi o principal desafio que você já enfrentou na sua carreira?

JMcS |   Honestamente falando, quase nenhum. Eu já passei por momentos difíceis, como quando sofri um acidente que poderia ter-me roubado a vida. Procuro, contudo, não focar nos problemas, mas usar a minha criatividade para encontrar, quando possível, soluções. Talvez o meu desafio diário seja manter os clientes do estúdio satisfeitos, bem como as pessoas que me auxiliam a manter os clientes satisfeitos. A infraestrutura do McSill Story Studio é minimalista como um quadro de Frank Stella, em regime de parcerias, porém, estamos presentes em vários países mundo afora. Durmo pouquíssimo e utilizo meios eletrônicos cada vez mais disponíveis a fim de manter este “corpo” de parceiros vivo e saudável. Por ora, tenho obtido sucesso. Já recebi convites de editoras para escrever um livro sobre o meu “segredo”. Mas não há segredo, se o desafio não assusta, não se torna um obstáculo intransponível. O “desafio” que teria seria se eu contraísse uma doença que afetasse a minha personalidade, o meu jeito de encarar as coisas e as pessoas. No estúdio tenho apenas dois princípios pelos quais nos pautamos: se está sujo, limpe e, se tiver algo a dizer, diga. Há, claro, quem veja o crescimento e reconhecimento do McSill Story Studio com um desafio. Eu vejo como um privilégio. Num mercado repleto de profissionais maravilhosos, consigo me manter com a cabeça fora d’água, inovando e, a medida do possível, ainda surpreendendo com o que posso realizar.

Ed. CAB| Para alguém que deseja torna-se escritor, qual o conselho que você daria?

JMcS |  Além de ter algo importante a dizer? Ler muito. Ler e estudar textos que fazem sucesso. Depois, estudar profundamente e esforçar-se para aplicar essas técnicas na sua escrita. Por fim, não ter medo de escrever de novo, e de novo e de novo.

Ed. CAB| Você assessora gente de toda a parte do mundo, realiza palestras e ainda escreve. Como consegue ter uma vida tão dinâmica?

JMcS| Como disse, durmo pouco e encaro a vida como um privilégio, como um livro emprestado, é melhor que eu o leia hoje, pois talvez termine o prazo e não o lerei jamais. Não sou religioso, então não tenho em mim dogmas que me dizem para deixar para outra vida o que posso realizar nesta, que não tem importância transformar a minha curta vida ou a dos outros num inferno se um dia vamos ganhar um céu. O meu conceito em viver no paraíso e poder ter saúde e trabalho, acordar, arrumar malas e partir, chegar, dar o recado e partir outra vez, ajudando pessoas ou empresas a realizarem o seu potencial. Devo sofrer de uma “síndrome de abelhas”, acordo já em efervescência e vou depressa polinizar as flores já que delas recolho o meu sustento. Por outro lado, sou bem organizado. Como sempre trabalhei na mesma área, tenho, se não, conhecimento, uma certa experiência. Tudo isso ajuda. Se estou discutindo o roteiro, por exemplo, com um cineasta, pelo menos ele vai me ouvir. Isto facilita e acelera o meu trabalho.

Ed. CAB| O Brasil vive um momento de muitas mudanças e incertezas no cenário político e econômico.  Consegue imaginar como estaremos nos próximos dez anos?

JMcS |  Melhores. Estudei no Brasil no fim da década de 70, facilmente comparo. A curto prazo o Brasil, como uma jovem democracia, tem muito o que aprender. Mas está prendendo! Há toda uma nova geração que questiona, contribui com ideias e cria novos ideais. Preocupa-me quando tentam calar as vozes, o que estancaria o progresso. No entanto, seria isto possível hoje em dia?

James é conhecido como um dos consultores de história mais bem-sucedidos do mundo, reconhecido e elogiado pelo seu vasto trabalho na América Latina, América do Norte e Europa, estendendo-se, agora, à Ásia. James, anglo-brasileiro, trilíngue e linguista por formação, tem mais de trinta anos de experiência na arte de conduzir autores a uma “história viável para publicação” e a sensibilizar líderes e organizações quanto aos benefícios do Storytelling como instrumento de trabalho e transformação.

Fundador e diretor-executivo da McSill Story Studio (Inglaterra/Escócia); executivo-chefe do McSill Story Studio (Brasil, Reino Unido, Portugal, Japão e EUA) e do McSill Story/ Transmídia Studio (York/Glasgow), sempre foi pioneiro na indústria do livro e na consultoria de histórias, hoje estendendo-se a TV, Cinema, Teatro e parques temáticos.

James é autor de mais de uma dezena de livros, conferencista em reconhecidas convenções de RH e acadêmicas (EUA, Brasil, México e Japão); conduz treinamentos, seminários, workshops e palestras, bem como consultorias privadas para indivíduos ou empresas em todos os aspectos do Storytelling, atingindo uma audiência de mais de dez mil pessoas ao ano.

Para saber a respeito de McSill e seu trabalho, entre no Google «James McSill».

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